Losing My Mind

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14/12/2008 22:04

As coisas que a gente faz...



Me despedi do pessoal e fui à lanchonete, que era bem próxima de onde estava. O que eu não imaginava era que a compra de um sanduíche se tornaria uma disputa por um pingüim de pelúcia e o meu adversário era um menino de 4 anos de idade. Tem coisas que realmente só acontecem comigo.
A moça com sorriso amarelo me olhou e me atendeu. Pedi o Mac lanche Feliz e ela tentou me empurrar mais algum a coisa. No caixa ao lado Um senhor de seus quarenta e poucos, com um bebê no colo e outro na mão direita protagonizavam aquela cena de comercial de TV.
Ouvi quando o garoto pediu a mesma coisa que eu. Mas eu estava na dianteira, a moça já estava me mostrando o bendito brinde e apontei para o Capitão. Pai! é esse que eu quero! Gritou o menino. E o senhor, qual vai querer? Perguntou-me a atendente. Apontei para o Capitão novamente e disse “O Kowalski. Me dê o pingüim”. O moleque me olhou e repetiu que queria o mesmo.
A moça se abaixou e puxou uma caixa para pegar o boneco. Revira daqui e dali e ela sentenciou: “Só tem um”. O moleque gritou: “É meu!”. Olhei para ele e disse que não e o pai me olhou arqueando as sobrancelhas. Era a reprovação pura e ele perguntou se eu iria querer o pingüim. Como já não estava de bom humor em virtude do ‘espetáculo’, respondi que havia pedido aquele e que se quisesse outro teria pedido a moça. Ele começou a fechar a cara.
A culpa é do esquilo! – pensei,pois foi ele que me falou dos bonecos. Em seguida olhei de volta para o pai do garoto ao meu lado. - Olha, cara, eu preciso levar esse negócio para casa. Lamento, mas não posso dar isso para ele, disse, já sabendo que era essa intenção do homem. O moleque fez uma cara de choro e se atracou a perna do pai, o miserável. Acho que até o bebê me olhou reprovando, assim como os outros atendentes que presenciavam a cena.
O olhar de reprovação do pai era algo medonho. Acho que nem Hitler olhou tão feio para um judeu, como aquele cara olhou para mim. Mas ele sabia que no fundo não poderia fazer nada. Nem mesmo fisicamente. Ele era baixinho e magricela, e, realmente, não podia fazer nada. Restava-lhe me odiar e convencer o filho que o boneco do pingüim Capitão não seria dele.
Ainda tive vontade de entregar o boneco ao garoto. Mas ele teria uma vida inteira para decepções e podia começar por ali. Descobrir que não se pode ter tudo. Principalmente quando EU quero o mesmo boneco que ele.
Não sei quanto tempo me resta de vida para me ver privado de pequenas satisfações consumistas. Paguei pelo lanche miniatura e exige que o rapaz com ar débil me desse o último pingüim do filme Madagascar (o Kowalski). São as pequenas satisfações que nos mantém vivos depois dos 30.
Agora tenho o Kowalski e o rei Lêmure. Sim, sim. Comprei os bonecos. Na maioria dos caras da minha idade que colecionam bonecos, geralmente são colecionadores que compram um action figure que vai ficar dentro de uma caixa plástica. Depois de 10 anos ele vende o boneco valendo bem mais por estar na caixa, lacrado. O mais engraçado é que o novo comprador também vai manter o action figure dentro da bendita caixa.
Nunca entendi essa coisa. Pra mim é um brinquedo e pronto. E brinquedo, independente da auto-ilusão de dar-lhes outros nomes, é brinquedo. E com eles se brinca!
Lembro quando saiu o filme (filme?!) dos Transformers e o Kauã (é assim mesmo) queria um dos bonecos que estavam sendo lançados. A mãe dele, uma senhorita bem sucedida financeiramente, atendeu-lhe o pedido e pagou quase 150 dinheiros no Optimus Prime. Fiquei fazendo s cálculos e vi que eram pelo menos 10 DVDs de Western que ele poderia ter comprado para iniciar sua formação de caráter. Mesmo assim fiquei feliz pelo moleque.
Saindo da loja ele me puxou pelo braço e me fez sentar em uma poltrona coletiva em frente às Lojas Americanas e abrir a caixa. Enquanto rasgava a caixa cheia de imagens e toda fresca, os olinhos do Kauã iam brilhando cada vez mais. Os meus também. Pô! No meu tempo não havia brinquedos idênticos aos personagens que via no cinema. Eram coisas toscas, talhadas com machado e de plástico vagabundo. Hoje não. São maravilhas da escultura, de fazer inveja a Michelangelo. O moleque tinha de aproveitar essa vantagem.
Em segundo a caixa estava em pedaços e o Optimus devidamente nas pequenas mãos do Kauã. Cinco minutos depois ele “me emprestou” para que eu também brincasse com o boneco. Depois de olhar todos os detalhes, devolvi o brinquedo ao dono, que saiu arrastando o objeto por dentro das lojas.
Hoje esse sentimento eu pude entender. Mesmo com a cara de choro do menino da lanchonete. Ele vai ter outras promoções pela frente, muitas outras na verdade. Eu não. Mas eu tenho um pingüim e agora ele está comigo, ao lado do macaco rei Julien. Se esse segundo foi uma batalha, como não será para conseguir o Alex e o Maurice.
enviada por Marvalsc



10/12/2008 23:35

O engodo


Já passava de 21hs quando decidi sair do IAP (Instituto de Artes do Pará) e não ir para o bar para comemorar a apresentação do ator-idelizador-pesquisador de uma espetáculo teatral. Era mais um do programas de tapuiu que a Julie me submetia, juntamente com o Jaime a namorada. E isso depois de sair de casa com fome, cansado, depois de ter dobrado o horário de trabalho, e fui me encontrar com ela. Fomos até o IAP e chegamos a tempo.
Mandaram-me entrar em uma sala adequadamente iluminada para o espetáculo e como trilha sonora tocava aquele hino dos Hare-krishnas. Entrei e me deparei com um cara sentado de braços dobrados e vestindo umas asas pretas, usando a maquiagem do novo Coringa (Batman - The Dark Night) e com um chapéu que lembrava aquele do OK que o Renato Aragão usava para representar doido. Na hora pensei: “Ele vai levantar cantando: Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados…”.
Infelizmente o pensamento não se concretizou. Foi muito pior, pois o cara acreditava piamente no texto que ele defendia. Algo, como ele próprio disse, que era mais que uma peça, era um impulso. Uma golfada. “Uma merda...”, pensei. E os próximos 29 minutos seguintes mostrariam isso. Aliás, esse é a melhor parte do ‘espetáculo’, só dura 30 insuportáveis minutos.
Eu não poderia fazer a grosseria de sair no meio do espetáculo do amigo da minha amiga. Mesmo que algum desgraçado tenha colocado um holofote ao lado da sua perna e colocado 4 malditos incensos atrás de você. O pior que apesar desses “extras”, ainda tinha de ouvir o texto declamado e interpretado. Por sinal frases profundas como um pires. “A morte é o fim. Um novo começo. O início”, por aí vocês podem deduzir.
Dada à situação, decidi fazer o melhor que podia para me adequar ao espírito da coisa, cochilei. E acordei com um berro do maluco, desta vez vestido como um mendigo. Tem cochilar de novo e ele me olhou, diabos. Tive de fazer cara de intelectual, mas era algo difícil para alguém de bermudão, sandálias e camisa florida, tipo havaiano.
Aliás haviam os indefectíveis pseudo-intelectuais na platéia. Eles estão nestes locais, os pseudos, mesmo quando a sensatez e discernimento mostram que aquilo é um grande engodo. Mas eles não poderiam admitir isso. Afinal o pseudo clássico - que aprende jargões acadêmicos, postura estereotipada inspirada em pessoas de notoriedade, que se preocupa com o efeito estético de suas posições em detrimento de um real conhecimento de assuntos específicos, com a finalidade de parecer superior socialmente ou adquirir admiração às custas de um "parecer" e não de um "ser”- só servem para comprar armação de óculos preto e grosso, disco do Tom Zé e dar bilheteria para mostra de filme albanês.
A definição do pseudo é de autoria do Edu, tirada de um fórum do Yahoo. Mais perfeita
Impossível.
Voltando ao espetáculo, não dei um minuto para sair dali e me livrar daquele cheiro maldito de incenso. Lá fora a namorada do Jaime e ele riam. Ele veio com a célebre frase: “E aí, que tu achou?”. Uma merda, respondi. Um côco. Uma perda de tempo do cacete e se a Julie me convidar de novo para uma desgraça dessas, eu processo a filha da mãe.
Como o Jaime também é amigo do ator-idealizador-pesquisador do ‘espetáculo’, fiquei esperando uma reação de censura ou critica. Mas aí ele arregalou os olhos chamou a namorada e disse: “Olha, o Márcio também achou a mesma coisa”. Depois dessa cumplicidade velada, decorri os impropérios necessários para definir o ‘espetáculo’.
Com a saída do ator-idealizador-pesquisador da sala eu achei melhor me retirar e não ir para o bar comemorar a apresentação.
- Não vais com a gente, perguntou a Julie.
- Ele vai me perguntar o que achei da peça. Eu sei o que vou responder. É melhor eu ir embora. Estou virando o super-sincero. Me despedi e fui comprar um Maclanche Feliz. Mas isso é outra história.



enviada por Marvalsc



07/10/2008 17:08

O mundo sem mulheres!


(Arnaldo Jabor)

O cara faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê?
O sujeito quer ficar famoso pra quê?
O indivíduo malha, faz exercícios pra quê?
A verdade é que é a mulher o objetivo do homem.
Tudo que eu quis dizer é que o homem vive em função da mulher.
Vivem e pensam em mulher o dia inteiro, a vida inteira.
Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente.
Homem algum iria fazer alguma coisa na vida para impressionar outro homem, para conquistar sujeito igual a ele, de bigode e tudo.
Um mundo só de homens seria o grande erro da criação.
Já dizia a velha frase que 'atrás de todo homem bem-sucedido existe
uma grande mulher'.
O dito está envelhecido. Hoje eu diria que 'na frente de todo homem
bem-sucedido existe uma grande mulher'.
É você, mulher, quem impulsiona o mundo.
É você quem tem o poder, e não o homem
É você quem decide a compra do apartamento, a cor do carro, o filme
a ser visto, o local das férias.
Bendita a hora em que você saiu da cozinha e, bem-sucedida, ficou na frente de todos os homens. E, se você que está lendo isto aqui for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher.
Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua. Só homens. Já pensou?
Um casamento sem noiva?
Um mundo sem sogras?
Enfim, um mundo sem metas.


ALGUNS MOTIVOS PELOS QUAIS OS HOMENS GOSTAM TANTO DE MULHERES:

1- O cheirinho delas é sempre gostoso, mesmo que seja só xampu.

2- O jeitinho que elas têm de sempre encontrar o lugarzinho certo em
nosso ombro, nosso peito.

3- A facilidade com a qual cabem em nossos braços.

4- O jeito que tem de nos beijar e, de repente, fazer o mundo ficar perfeito..

5- Como são encantadoras quando comem.

6- Elas levam horas para se vestir, mas no final vale a pena.

7- Porque estão sempre quentinhas, mesmo que esteja fazendo trinta
graus abaixo de zero lá fora.

8- Como sempre ficam bonitas, mesmo de jeans com camiseta e
rabo-de-cavalo.

9- Aquele jeitinho sutil de pedir um elogio.

10- O modo que tem de sempre encontrar a nossa mão.

11- O brilho nos olhos quando sorriem.

12- O jeito que tem de dizer 'Não vamos brigar mais, não..'

13- A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza.

14- O modo de nos beijarem quando dizemos 'eu te amo'.

15- Pensando bem, só o modo de nos beijarem já basta.

16- O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram.

17- O fato de nos darem um tapa achando que vai doer.

18- O jeitinho de dizerem 'estou com saudades'.

19- As saudades que sentimos delas.

20- A maneira que suas lágrimas tem de nos fazer querer mudar o
mundo para que mais nada lhes cause dor.
enviada por Marvalsc



23/09/2008 15:41

Ai..ai..iaiai..iaiaia, tá chegando a hora... e outras histórias



È, minha gente. É chegada a hora. O homem resolve brincar de Deus e recriar em ordem microscópica a teoria de Einstein, o famoso Big Bang. E as pessoas continuam levando suas vidas normalmente, “dando pipocas aos macacos e sorrindo com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”. Para piorar, os Estados Unidos da América tentam interromper uma crise prevista como pior do que a quebra da bolsa de Nova York, dizem os analistas. Fato ocorrido em 1929, lá no século passado, mas cujo fantasma percorre as salas e corredores do Federal Reserve of The United States. Ou seja, não temos de somente aguardar a colisão dos feixes de prótons do LHC, podemos esperar pelo caos mundial. Estamos ou não num mato without a dog?
O que se faz numa hora dessas? Aguardamos a crise bater nas nossas portas ou seremos sabe o lá o quê pelo erro dos cientistas com complexo de superioridade? A situação é complicada e 98% da população está defecando e andando – o que para eles é bastante confortável, enquanto que eu e alguns conhecidos não dormimos direito, pensando e sem poder fazer bulhufas sobre qualquer uma das desgraças que o grande pássaro do destino descarregará em nossas cabeças.
Veja por exemplo o caso do LHC. Se der errado não há tempo para fazer nada. É como aquela piada dos tomates atravessando a rua, que adaptada, fica assim.
- Merda!
- Criamos...
- um...
- buraco neg...
- Ond...
- SHUIRPLT!
É isso. Simples assim. Milhões de anos de evolução, do reles protozoário ao sistema complexo que nos transformou nos seres pensantes, inteligentes, criativos e loucos que somos, tudo se perde em razão de minutos. Alguns dizem que são segundos.
E o que acontece? Nenhum dos cientistas poderá explicar porque deu errado. E não há pitombas nenhuma que possamos fazer, pois a droga está em andamento.
Eu comecei a entrar em delírio desde a semana retrasada. Meu objetivo passou a ser o seguinte: “Esqueça os livros. Faça coisas. Todas as que não podia fazer. Menos pisar na Curuzu. Alimente-se de frituras e guloseimas e mande tudo e todos que você não gosta para o inferno. Chute a sua mãe”.
Mas aí veio o problema. Minha namorada-viajante esteve aqui e se foi no sábado, obviamente com as despedidas adequadas. Antes de embarcar olhei e disse de forma sincera: “Gostaria que tivesse sido você a me dar o gordinho”. Ela entendeu e ao mesmo tempo se desconcertou. Começou a chorar no aeroporto.
Mulheres choram em aeroporto e eu presente, quanta novidade em minha vida...
- Porque tu disseste isso?
- O mundo vai acabar.
- Pára com isso! já te disse.
- Vai acabar...
- Não vai! E eu vou voltar, morar aqui e teremos o gordinho.
- Não haverá tempo. Nem sei se te verei de novo.
- São só quinze dias. Eu volto logo.
- Se não te ver mais, saiba que te amo, a minha maneira. And now, the end is near…
- Pára!
Começou a rir de nervosa e me abraçou. Depois disse que agora queira fazer xixi.
- Por que tu é assim.
- Se não fosse não seria eu e tu não iria gostar de mim pelo que eu sou. Certo?
- É. Tu tens razão. Mas tu és chato. Mas eu te adoro.
- Eu também.
- Me adora?
- Não. Me adoro.
Rimos juntos. Ela não sabe, mas me faz muito bem. Gosto dela. Mas sei que ainda não a amo como deveria. Com ela é um processo crescente. Da forma correta. Nada de paixão. O amor se solidificando em bases verdadeiras.
- Se eu voltar de lá grávida?
Silêncio.
- Eu te mato. Mas ficaria muito feliz.
Começou a chorar de novo e as pessoas ouviram a nossa última conversa, com isso olharam para nós. Achei melhor ir embora dali e me despedi com um beijo. Foi uma das tardes de sábado mais bacana que já vivi nessa ida. O avião sumiu nas nuvens e com ele a comissária.
Talvez ela volte. Talvez a gente se veja de novo. Talvez. Tudo é uma incógnita.
Agora, cadê o filho-da-puta que ligou o acelerador?!!!


Contemplem o "rodoanel" de hadróns.
enviada por Marvalsc



19/05/2008 18:11

The voice


Há diversas razões para se ouvir um disco - qualquer um desse cantor – principalmente assim que o dia amanhece e você precisa se preparar para a vida cotidiana. Os motivos para ouvir essa “voz” são os mais variados: alegria, tristeza, paixão, felicidade, estímulo sexual. Qualquer sentimento. Pois as canções se encaixam em qualquer situação. Uma de suas interpretações mais famosas embalam até mesmo os funerais de muitos norte-americanos até os dias de hoje. Mas neste 14 de maio, como todos os dias, acordei, liguei o aparelho de som “macgyverizado” por mim e fui direto ao patamar mais alto da estante. É o chamado “Olimpo musical Marvalsquiano”. Lá se encontram os discos dos artistas que mais aprecio. Decidi pelo duplo com músicas românticas interpretadas pela velho “olhos azuis”. No disquinho de plástico comprado por apenas quatorze reais, estão algumas das mais belas canções eternizadas pelo Francis Albert. Mas não queria ouvir para uma satisfação pessoal, mas por ele, que por razões alheias a sua vontade, se calou no dia 14 de maio de 1998. Mas pela graça da tecnologia teve sua vasta obra preservada nos milhões de discos vendidos ao longo da carreira daquele que é apontado por muitos como o maior cantor popular do século XX.

Descendente de italianos, Francis Albert Sinatra nasceu no dia 12 de dezembro de 1915, no pequeno condado de Hoboken, estado de Nova Jérsei, e reinou por mais de meio século no mundo da música popular americana e mundial. Ajudou a difundir a música norte-americana pelos quatro cantos do mundo. Sem falar que ele é parte da própria história cultural e artística dos EUA.

Sempre junto de belas mulheres, Sinatra foi um bon vivant e conquistador inveterado. Mas como todos aqueles que beiram a canalhice com suas conquistas, sofreu do pior mal que pode se abater sobre essa espécie: a paixão.

Em 1945 ele conheceria Ava Lavinia Gardner, a morena de olhar sensual e pernas longilíneas - o poeta Jean Cocteau a definiu como o "mais belo animal do mundo - fez Sinatra perder o rumo, se apaixonar perdidamente e desistir de um casamento com Nancy Borbato, com quem era casado desde 1939 e tivera seus quatro filhos: Nancy, Frank Jr. e Christina. Mas não pensem que os “olhos azuis” miravam apenas Nancy. Muito pelo contrário. Ela era uma espécie de “Amélia” para Sinatra. Antes do nascimento da caçula, Nancy abortara de uma outra criança, devido as complicações emocionais, quando soube de um affair de Frank com a atriz Lana Turner e posteriormente Marilyn Maxwell. Tudo isso antes do período Gardner.

A separação causaria uma verdadeira polêmica nacional, dada a característica hipócrita da sociedade norte-americana. Ava, obviamente, não teve solicitado o pedido de canonização em vida pelas “senhoras de família” junto ao Vaticano, para não lembrar do que ela foi chamada até mesmo pela própria mídia. Ele ‘pulou a cerca’ pelo menos duas vezes

Depois de conhecer Ava, o casal se encontraria algumas outras vezes ao longo de seis anos. Casaram-se em 1951, dez dias após o divórcio com Nancy ter sido concluído, mas o casamento durou bem menos do que se esperava. Em 1953 o amor já era, mas o divórcio só viria em 1957.

Ele se casaria outras duas vezes. Em 1966 com a também atriz Mia Farrow, com quem terminaria dois anos depois, e em 1976 com Barbara Marx, com quem viveu até o fim de sua vida. Lauren Bacall, Juliet Prowse e Angie Dickinson foram algumas das outras ‘vítimas’ de Francis Albert ao longo se sua gloriosa vida. Podem falar o que for, mas que ele tinha bom gosto para mulheres, isso é inegável.

Não vou me alongar sobre a “Voz”, não sou seu biografo, nem pretendo sê-lo. Mas na verdade é só uma pequena e singela homenagem ao cantor que mais me encanta e fascina. Além de ter embalado os meus próprios relacionamentos. Talvez eu nunca tenha uma Lauren Bacal ou uma Ava Gardner no meu caminho, mas ninguém vai poder criticar as belas e maravilhosas mulheres que conheci até hoje. E eu fiz isso a minha maneira.



enviada por Marvalsc



06/04/2008 18:55

Adeus às armas


John Charles Carter foi um artista controverso, mas inegavelmente talentoso. Deixou para os amantes do cinema uma filmografia considerável. Nada mais nada menos do que 112 filmes no currículo e uma paixão pelo teatro pouco conhecido do público. Entre seus filmes mais conhecido está Ben-Hur (1959), o primeiro filme a conquistar 11 oscars. Ele próprio levou para casa um dos prêmios, o de melhor ator. Quem conhece um pouco de cinema já sabe que John Charles Carter é na verdade Charlton Heston. Afinal de contas o nome John Charles não combina com um cara que interpretou Ben-hur e Moisés, em os Dez Mandamentos (1956). Heston morreu hoje, deixando como legado papéis marcantes, interpretações grandiosas e um posicionamento político e pessoal que despertava o interesse da mídia sobre aquele que foi uma das grandes estrelas da história do cinema.

Lamentavelmente a nova geração só veio conhecer Charlton Heston como o velho carrancudo e presidente da National Rifle Associatiion (NRA). Foi assim que ele foi retratado no documentário Tiros em Columbine (2002), dirigido por Michael Moore, onde Heston defendia do direito quase sagrado de um norte-americano portar em casa uma Smith-wesson, Browning, Remington, ou qualquer outra coisa que cuspa chumbo.

Como todo e qualquer espectador do documentário, graças a atitude piegas (piegas sim!) de Michael Moore, não há como não odiar o velho. Está uma das contradições que marcaram a vida de Charlton Heston. O mesmo homem que defendia o uso de armas e que se tornará o presidente da NRA, era o mesmo que em 1963, ano da morte do presidente John F. Kennedy defendeu abertamente o controle da venda de armas pelo governo americano.

O mesmo Heston marchou ao lado de Martin Luther King na luta pelos direitos civis do negros norte-americanos. Muita gente adora idolatrar os Estados Unidos, mas não sabe que enquanto um negro no Brasil podia entrar num ônibus (claro que aqui também existe a droga do racismo) e sentar tranquilamente, isso nos EUA era algo bem complicado. E isso aconteceu há pouco mais de 50 anos. Por causa de um lugar no ônibus, os negros passaram (a duras penas) a serem respeitados como cidadãos comuns. Ao menos no papel.

Charlton defendeu a igualdade de direitos antes disso ter virado moda entre os bancos famosos. Duas décadas depois, o mesmo ativista seria chamado de homofóbico. Contraditório ou não? Além disso, um cara que esteve ao lado de Luther King seria visto menos de vinte anos depois apoiando de braços dados Ronald Reagan, de quem era amigo, para presidente. Ele voltaria a carga ao fazer campanha para George W. Bush. Essa dedicação aos republicanos rendeu-lhe em 2003, a Medalha da Liberdade entregue à Heston pelo próprio presidente Bush, em solenidade realizada na Casa Branca. Vai entender...

Para mim, que sou reles fã, não do cidadão John Charles Carter, muito menos do artista Charlton Heston, mas do personagem Judah Ben-hur, naquele que é um dos maiores e melhores filmes de toda a história do cinema. Para o limbo quem pense ao contrário. E sabe porque? Não é pela direção de William Wyler, nem pela trilha de Miklós Rózca, mas pela tématica do filme: esse sentimento beloe vigiroso que é a vingança.

Se com o Charlton Heston o filme já é bom, imaginem se o Marlon Brando tivesse aceitado interpretar o personagem? E não recusado, como fizeram também Burt Lancaster e Rock Hudson. Seria magnifíco, mas não se pode ter tudo.

Essa é a lembrança que vou guardar de Charlton Heston, além claro do Moisés de Os Dez Mandamentos, do diretor Cecil B. DeMille. Isso sem falar de El Cid, Planeta dos Macacos, A última Esperança da Terra (1971), Júlio César (1970) , Agonia e Êxtase (1965), A Marca da Maldade (1958), O Maior Espetáculo da Terra (1952). Pelo que se vê, opções não faltam.

Ah, só para encerrar. Se alguém ler o portal Último Segundo, saiba que a informação de que ele fez apenas 66 filmes é completamente errada.

Obrigado Charlton, meu velho. Descanse em paz. Mas caso isso não aconteça é melhor enterrarem você com seu rifle.
enviada por Marvalsc



06/02/2008 17:05

Samba pa ti


É engraçado como as coisas são perenes na vida de uns e um turbilhão maluco para outros. Eu não faço parte do primeiro grupo. E nunca farei. Talvez um dia - e esse dia vai demorar, eu comece a acreditar em coisas que são implantadas no subconsciente de quase todo e qualquer ser humano do lado ocidental do planeta. A verdade é que eu espero muito ver o Datena e Marcelo Rezende narrando o fim do Mundo, tudo a cores e em breve em HDTV para todo o país. O porquê de tudo isso? É que hoje completo mais um ano nesse planeta miserê e enquanto eu estiver por aqui, haverá alguém torcendo pelo fim da raça humana. Welcome to my world!!!!!!!!!

Hoje é decidi retomar o vida do blog. Foi atendendo a um pedido especial de uma figura que veio, passou e vai permanecer muito tempo junto das memórias de coisas boas. Mesmo porque, sendo comissária de bordo, ela não tem como passar muito tempo longe de Botsuana. Aliás, Fabiana, o seu foi um dos melhores presentes que já recebi de aniversário. Afora a embalagem que era s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l...

Aliás, da próxima vez, dança de novo ao som de "My baby just cares for me", da Nina Simone. E eu prometo que canto "You're just too good to be true... can't take my eyes off of you... You'd be like heaven to touch... I wanna hold you so much..."

Como sempre eu digo: A vida é uma merda! mas é bôa e divertida. Gostaria que o Batráquio, o Coiote, o Esquilo e a Camilinha estivessem aqui hoje, para comemorar essa farra. Mesmo sem eles, os amigos de fé estarão presentes para uma (uma?!) partida de bilhar e muita cerva.

Hoje é dia de rir, me divertir. De não ver corpos pelo chão. Nada de lágrimas, nem de choro. Não quero abraços. Nada disso. Quero a companhia das pessoas que valem a pena ter por perto, dos amigos verdadeiros, onde o respeito e a confiança nos unem como superbonder.

Quero sentir a pele da mulher-bailarina nas minhas mãos. Mesmo que eu tenha de esperar até as duas da manhã para fazer isso. Quero te ver dançando, rindo com teu sorriso perfeito e com os cabelos soltos, como naqueles malditos comerciais de shampoo. Quero te abraçar mesmo que seja (talvez) pela última vez, te beijar (quem sabe?) pela última e dizer que te amo (para sempre).

Sabe, eu estou escrevendo, quase delirando em meio as palavras que me vêm, e surdo pela música que se entranha no meu cérebro. Estou sozinho cercado de tanta gente. Mas não há solidão alguma. É um torpor inverso, com a realidade mais real do que nunca. Um estranho êxtase delirante de lembranças que quase me fazem sentir o calor da tua barriga. Enquanto descanso do desejo que me consome.

Vou sentir falta de você. Mas como das outras vezes não posso impedir seu caminho.

Você deve estar achando estranho ler tudo isso aqui. Exposto para pessoas que você não conhece, nunca viu e provavelmente nunca vai ver. Mas é sincero, verdadeiro. E se te conheço "um pouco", você riu um bocado lendo isso tudo. E deve ter corado por coisas que escrevi.

É, sou assim quando escrevo. Não era isso que você queria ver uma única vez? Pois bem, aí está. Espero que tenha valido a pena voltar a dar vida a esse Blog. É o meu dia, mas o presente é seu. Obrigado.
enviada por Marvalsc



12/07/2007 14:52

A morte e a morte de mim mesmo


(O último texto)

Existem momentos na vida em que você se vê diante de um abismo e a tentação de pular é praticamente inevitável, principalmente aos sonhadores. Muitos o fariam pela crença de que podem voar. A queda livre seria a certeza irrefutável de que isso não é possível aos mortais.
Há duas possibilidades nesta situação, ou você dá mais um passo firme em direção as suas crenças, ou simplesmente recua diante da sórdida e cruel realidade. Mas qual o preço de cada uma de suas decisões?
Em pouco mais de um mês eu tive de optar por continuar no mundo maravilhoso das coxinhas, da cerveja e do bendito cigarro, pelo mundo cru das saladas verdes e sucos a base de soja. Esse foi o momento de parar diante do abismo.
Hoje eu descobri que estava à beira de um coma hipoglicêmico; (mais seis pontinhos na minha taxa de glicose e poderia estar jogando poker com o Satanás neste momento). Mas isso depois de receber o resultado dos novos exames que mostram que a dieta mediterrânea e os remédios já me ajudaram a baixar taxa para apenas um ponto acima do limite normal.
Apesar de tantas mudanças, eu decidi que devo morrer de qualquer forma, mas não fisicamente. Devo morrer pelo que me tornei: livre, crítico, descrente, com grande abjeção a ignorância reinante e a imbecilidade quase que generalizada do mundo.
Não nasci para ser algo. Eu sou mais que isso. Não nasci para ter um rótulo de profissão e ser colocado no almoxarifado do mercado de trabalho. Eu sou o nome que carrego e isso que deixarei de uma forma simples, ou de uma forma inesquecível para muitos.
Hoje eu morro para me tornar aquilo que querem que eu me torne: mais um. Que assim seja. Mas como disse antes, tudo tem um preço. O meu será cobrado com morte daquele que todos conhecem. Pois no meu mundo não existe cinza, ele é preto ou é branco.
O dia de hoje serve como uma pira funerária de sentimentos, de uma vida e daqueles que morrerão (nunca tive vocação para morrer sozinho) junto com que tenho sido até hoje. Renasço para ser aquilo que determinam que eu seja, mas não pensem que isso será barato.
Este é o último deste blog. Agradeço a todos aqueles que acompanharam meus textos, que elogiaram e se divertiram com todas estas coisas malucas. Obrigado.
Vida longa e prosperidade.
enviada por Marvalsc



08/05/2007 15:52

Marvalsc, o Mago



A arte da magia é para poucos. Isso eu já aprendi. Mas a grande mágica de fazer chover eu aprendi por acaso, e foi presenciado por D. Misce, minha vítima favorita do meu talento de ludibriar pessoas. Se Paulo Coelho, com todo respeito, pode, porquê o grande Marvalsc não poderia também?
É preciso muito pouco para fazer uma pessoa desesperar-se com um “princípio de chuva” e correr para retirar as roupas dispostas em um varal no quintal de sua casa.
Paulo Coelho deve ter estudado anos sobre os manuscritos dos monges tuberculosos de Maharashtra, mas a minha iluminação veio quando eu escorria o arroz do dia a dia e preparava para enxugar um escorredor de plástico de R$ 1,99. Ao sacudir no ar o apetrecho, em direção ao quintal, formou-se no chão um rastro de pingos de água. Era a glória. Imediatamente molhei novamente o escorredor e sacudi em outra parte do quintal. Nascia um “chuvisco artificial”.
Era preciso dar maior credibilidade a minha “chuva”. Por alguns instantes minha mente maquinou, e adentrando no “quarto do conhecimento e ferramentas” consegui o que faltava para o princípio de uma grande chuva.
O que aconteceu depois será narrado aqui, e ficará como ensinamento para aqueles que buscam o conhecimento acima de escrúpulos e incertezas.
1º Ato – Eram por volta das 13hs. Esperei o tempo ficar um pouco nublado e molhei novamente o escorredor e segui aspergindo água e criando o “chuvisco” por todo o quintal. O cenário estava pronto faltavam os efeitos especiais.
2º Ato - D. Misce estava deitada na rede (o descanso da guerreira). Aproximei-me devagar pela porta da sala, mirei contra a rede e disparei o flash de uma velha máquina fotográfica. Nascia o relâmpago. Foi o suficiente para fazer a velha dar um salto e dizer: “Minha nossa senhora! Lá vem o diabo da chuva. Márcio me ajuda a tirar a roupa do varal!”. Respondi que não podia ajudar, pois estava no banheiro preparado para a segunda parte do plano.
3º Ato – Pude ouvir o barulho do portão se abrindo desesperadamente. “Meu Deus! Já molhou tudo”, disse a velhinha. Neste momento, munido de duas seringas cheias de água, começou a “chover” sobre D. Misce. “Márcio me ajuda, que está chovendo!” gritou a velhinha. Um novo “relâmpago” clareou o quintal de casa. “Jesus amado! Vem um temporal...”, lamentou.
4º Ato – Quase não me contendo de tanta satisfação - me senti uma espécie de Jean-Baptiste Grenouille em busca da chuva perfeita, corri para encher mais uma vez a seringas de água, enquanto D.Misce retirava o restante da roupa. Nem precisei utilizar a segunda seringa de água, pois com uma velocidade surpreendente ela retirou todas as roupas do varal. Eu havia conseguido. Eu fiz chover e D.Misce acreditou.
5º Ato – Voltei para a sala e pude observar a velhinha estender as roupas no varal do quarto. Sentei e esperei. “Diacho! Tu nem pra me ajudar a tirar as roupas”, disse ela. Limitei-me a sacudir o jornal e olhar para ela. Foi novamente até a janela da sala para poder verificar o tempo. “Aqui na frente está seco, mas continua escuro. Não vou mais estender lá fora”. Eu continuava impassível lendo o jornal.
5º Ato – D.Misce voltou para a rede. Corri para o quarto e peguei o fazedor de relâmpagos. Mirei novamente para o quarto onde a velhinha se encontrava: Minha nossa senhora! Mais vem muita chuva...”, disse. Desta vez não saiu da rede, contentou-se com o comentário e ficou se balançando na rede. Estava cumprida a minha missão. Cerca de quinze minutos depois começou a chover de verdade. Mas já não tinha graça, não era a “minha” chuva.
Assim segue-se a vida com novas descobertas e possibilidades. Se posso fazer chover, o que a vida não aguarda pela frente? Neve? Quem sabe...



enviada por Marvalsc



08/05/2007 14:06

Ao padrinho


O lamento de se perder algo que admiramos é infrutífero. Não adianta nada. É ineficaz, inútil e muitas vezes até demagógico. Mas que faz uma bem danado, isso faz. O meu lamento é por ele, Marlon Brando.
Se um dia alguém descobrisse a história da infância e adolescência de Deus, e decidissem filmá-la, ninguém melhor para representá-lo do que Brando. Seria um Deus já sem a opulência da juventude, reflexivo e mergulhado em lembranças de uma vida singular.
Quando lemos a bíblia (Velho Testamento) temos a sensação de um Deus belo, poderoso, impetuoso e vingativo, etc.
Mas quando encaramos a própria realidade os questionamentos são inevitáveis: Porquê? para onde? Como?, Onde ele está? Isso remete invariavelmente a uma comparação com a careira de Marlon Brando.
Comparado a Deus ele teve perdas maiores em vida. Deus perdeu seu único filho. Brando perdeu um casal. E houve quem o culpasse pelas suas tragédias pessoais. Mas ou menos como um das últimas frases de Cristo: Pai, porque me abandonaste?
Assim como Deus atuou no Gênesis, Brando o fez em o Selvagem da Motocicleta. Os dois são arrebatadores em suas primeiras aparições. Durante um tempo - Deus apenas sete dias - eles se mantém como os maiorais e inquestionáveis. Mas o tempo faz que se percebam as nuances psicológicas, e atitudes típicas de seres que excedem seus semelhantes. Deus os têm, e ao que parece somos nós. E entre nós esteve Brando. Portanto é plausível deduzir que Brando é Deus, e Deus o próprio Brando. Se alguém considera o contrário, Fo#¨%*!!
Após a sua magnífica atuação em Gênesis, Deus se recolhe e deixa as coisas caminhem, abrindo espaço para outros coadjuvantes. Eventualmente ressurge para demonstrar seu poder absoluto. Brando é assim também em sua carreira. Depois de sucessos e atuações inesquecíveis como em "O selvagem da motocicleta" e "Um bonde Chamado Desejo", ele se recolhe a um mundo próprio.

No segundo filme ele dá vida a Kovalski - não por um acaso assemelha-se a Marvaslc - que lhe rendeu seu primeiro Oscar. Depois disso só retornaria para garantir outro prêmio pelo magistral D. Vito Corleone. Papel para o qual teve de se submeter a teste, pois, como Deus, muitos já não acreditavam nele.
Outro personagem marcante para mim (para a crítica é gaiatice) é Jor-El, pai de Kar El, o popular Super-Man. Este foi o primeiro filme que vi no cinema e uma das grandes lembranças de infância. O ano era 1978. Mesmo ainda com uma mente em formação, me perguntava o que seria se fosse o pai do Super-homem que viesse para Terra, com todo aquele conhecimento. Isso atiçou mais ainda mais os pensamentos, pois, passados alguns anos, percebi que o filho deste vestia a cueca por cima da calça. Ainda assim era o maior dos super-heróis.
Voltando a Vito Corleone, este é o personagem mais marcante do cinema para os ingleses, numa votação ocorrida há pouco menos de um mês. Não sem razão. Quem conhece a saga dos Corleone, sabe que somente De Niro chega perto de igualar uma atuação impecável como de Brando. Al Pacino é fantástico como o atormentado Michael, mas são escolas diferentes, como diferentes são os talentos. Brando superou a todos eles.
A partir daí aparições esporádicas, como Deus em seus milagres inexplicáveis, dá o ar de seu talento. Em "Apocalipse Now" ele mostra novamente seu temperamento mandando as favas o roteiro, criando seus próprios diálogos, ou melhor monólogos. A frase final do filme deve ser um retrato do espírito de Coppola ao perguntarem como andavam as filmagens: "Horror, horror".
Mesmo em um filme trash- A ilha do Dr. Moreau - ele conseguiu se sobressair. Acho que a única razão de alguém assistir aquilo foi poder vê-lo de novo na tela.
Em "D.Juan de Marco", ao lado de Jonnhy Deep e Faye Danaway. Ele ressurgiu gordo, e longe da imagem do galã que o perseguiu durante os anos 50. Ele odiava a indústria do cinema por isso. Conhecedor que era do próprio talento - o que em absolutamente nada tem haver com imagem - afastou-se justamente para poder tentar se desvencilhar dessa imagem. Mas isso foi criado involuntariamente pela rebeldia própria dos seres geniais, que transcendem a regras e leis cabíveis somente aos meros mortais.
A América dos anos 50 era assim, o paraíso da extrema-direita conservadora (se é que mudou alguma coisa).Brando surge na tela de jaqueta de couro e pilotando um dos ícones da eterna rebeldia: uma Harley Davidson.

Um contra-ponto ao stablishmennt da época. Músculos a mostra e um magnetismo ímpar, contra senhores de corte escovinha metidos em paletós e gravatas. Assim surgiu Brando para o mundo, e assim ficará para sempre: Belo, sedutor, rebelde, contestador e com aquele eterno semblante de quem estava acima de todos, não por arrogância, mas pelo talento incomparável.
Era um dos personagens principais que caminhou no mundo de meros coadjuvantes. Viva ele!
enviada por Marvalsc



12/02/2007 22:15

One more time...


Sim. Eu ando meio emotivo, mas isso não vai me fazer partir o cabelo para o lado e pedir emprestado o rimel das minhas amigas, muito menos achar Simple Plan ou CPM 22 bandas maravilhosas. A cada aniversário eu passo por essa fase.
Acordei no último dia 6 com a chuva lá fora, desempregado, ouvindo Sinatra, Elvis, Miles, com o telefone tocando o dia inteiro. O celular maluco também trabalhou. Esse é o lado bacana do processo, existem pessoas que gostam de mim, que me acham legal e divertido. Essas pessoas já mais sairiam de um manicômio se visitassem algum, num dia qualquer.
Comemorações a parte (bilhar e cerveja), a noite terminou com chuva, um sorriso sacaninha, uma camiseta engraçada e braços pequenos e macios em volta do meu pescoço. Não deu para dormir no paraíso. Mas quem disse que eu iria dormir.
Voltei para casa e aceitei que a vida é boa para este que vós escreve.
Saudades - A verdade é que ando saudosista de velhos amigos. Alguns eu ainda sei que verei, outros se foram para sempre. E isso é estranho, pois eu completei 35 anos na semana passada e já perdi muita gente que aprendi a gostar. E que acreditava que estariam ao meu lado até o fim dos meus dias.
Não falo de amores vividos, mas de amigos de infância, de escola, dos caras com treinei minhas primeiras lutas, da turma dos “12 condenados”. Alguns foram literalmente condenados pelo destino. Havia ainda os “Sete cavaleiros do Apocalipse”, dos quais só restam quatro – eu sou um deles.
Eu parei para fazer as contas esta semana: a vida já me privou da companhia de sete grandes amigos. Vá lá que nem todas eram realmente pessoas exemplares. Mas e daí? Eram caras que eu aprendi a confiar, curtir a vida e que me fizeram aprender coisas nem tão boas, mas úteis em certos momentos. Quem nunca roubou um carro, que desfaça a primeira ligação direta. Quem nunca espancou um assaltante? Quem nunca deu tiros para alto para comemorar um gol de seu time? Quem nunca mentiu deslavadamente para proteger um amigo? Se você, nunca fez isso, parabéns! Significa que és um cidadão exemplar, seguidor das normas sociais e futuro exemplo para os mais jovens. Não sou assim.
Não vim para melhorar o mundo, nem deixá-lo mais justo, mas não sou discípulo da omissão. Sou justo e...vingativo. Não adianta. Isso não vai mudar. Eu espero o tempo que for para ver as coisas acontecerem do jeito que elas devem ser.
Ódio - Na semana passada morreu um cara que eu detestava, por quem nutria ódio puro. È indescritível a sensação que senti ao ler no jornal sobre a morte do infeliz. A primeira reação foi dar uma gargalhada. A segunda apagar da minha mente um dos quatro rostos que carrego no fundo do meu cérebro, cujo propósito, puro e simples. é odiá-los e amaldiçoá-los até o fim dos meus dias. Esse sou eu. Faltam três...
Mas deixa isso pra lá. Cada um terá o destino que merece.
Outro ano se foi e eu continuo por aqui. Deve haver alguma razão para isso. Sendo assim, eu vou levando até o dia que tiver de jogar xadrez com a morte. Acho que vou desafiá-la para um bilharito e umas cervas antes do serviço. Quem sabe ela não curte e me deixa por mais algum tempo por aqui. Até mais e obrigado pelos peixes.

“Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns se foram e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns estão mortos e outros estão vivendo
Em minha vida, já amei todos eles”

enviada por Marvalsc



16/01/2007 22:09

Fim de semana perfeito


Uma das coisas boas da vida é você ter a oportunidade de reunir em um único lugar boa parte das pessoas que se aprende a gostar e que se quer ter por perto, sejam nas horas divertidas, sejam nas mais complicadas. Este fim de semana foi um desses momentos mágicos, divertidos e que se pode guardar para sempre como uma boa recordação de alguns de seus melhores amigos.
Talvez não seja o fato de poder ficar falando mal - no bom sentido, se é que isso é possível - do Stélio, enquanto ele não chegava. Nem mesmo ter de repetir pela enésima vez a história do “Porre Jesus”, que quase me levou a andar sobre as águas. Muito menos encarnar no Caverna sobre sua experiência sexual galinácea. Nesses momentos não se respeita sequer os altos cargos do Itamaraty, que o diga nossa amiga “Chanceler”. O bom mesmo poder dividir com os amigos uma garrafa de absinto (ô coisinha boa), uma lasanha caprichada da Viviane, e por o papo em dia, ou melhor, as encarnações em dia.
De brinde se pode reunir essa turma toda e curtir uma festa com outros bons amigos e reunir tudo numa farra só.
Mesmo com uma estranha sensação de distorção tempo-espaço... Não! Não sou o Flash! Eu estava porre mesmo. Deu para lembrar de dançar com a Dani, bater papo, e como a história é minha, não podia faltar um momento de estresse: bancando o segurança e evitando um o que poderia ter sido um porradal dos bons. Odeio os psicólogos por isso. Em outros tempos sentava a mão e perguntava depois.
Houve ainda um momento muito especial, desses que mesmo alterado não se esquece: a certeza que um ciclo de sua vida se encerrava definitivamente ali, com um abraço, sorrisos, o desejo de boa sorte e felicidade mútuas. É nessa hora que se percebe que a vida realmente é algo muito simples, somos apenas nós que complicamos tudo. “Quando olhava eu via o tudo, hoje há o nada, mas não o nada absoluto e sim aquele que deixa rastros, escombros, sensações e lembranças de uma vida passada, dessas que valeram à pena, obrigado”.
E assim foi mais um fim de semana. Mas não igual aos outros, muito diferente, muito divertido, muito bom. Obrigado pela amizade de cada um dos remanescentes do eterno Gueto F. E que momentos como esse a gente possa repetir sempre.
"Um irmão pode não ser um amigo, mas um amigo será sempre um irmão." - Benjamim Franklin



enviada por Marvalsc



31/12/2006 22:09

Adieu 2006!


Mais um ano vai... Mais um ano vem... Quase que eu vou também...
Eis que os assaltantes finalmente empataram o jogo. Ontem sofri meu quarto assalto, empatando o jogo com os amigos do alheio. Ou seja, estava dois a um para mim. Duas surras e uma faca no peito contra. Na noite de ontem não dava nem para pensar em reagir. Uma arma é uma arma. Além disso, se fizesse alguma coisa e acontecesse algo com o Apul, vulgo Renato, me sentiria culpado o resto da vida.
O importante é que nem eu nem o Apu sofremos qualquer coisa. Mas é estranho ver partir sua mochila com um monte de trecos, papéis, a barra de ferro que surrou uns e outros (até terçadada ela evitou), fora a grana que me restava e a renda das Casas Caverna. Ainda bem que não fui roubado na sexta.
O mais interessante foi sair em uma viatura em perseguição ao assaltante. Claro que não deu em nada. Em compensação conheci uma outra dimensão do Centro de Belém, que graças a Deus eu não conhecia. Era possível ver seres que tinham acabado de roer o fêmur da própria mãe e ainda com nacos de carne nos dentes sorriam para os policiais na maior desfaçatez.
Entramos em vielas e becos que nunca pensei que existissem no Centro da cidade. Cada figura que os policiais abordavam era possível ver aquela fisionomia de “eu devo, eu nego até a morte, mas te levo comigo”.
Os botecos por onde passamos eram outra coisa a parte. O melhor deles foi um em que pude ver três Orcs de saias e um garçon do bar do Jabba. Aquilo ali só pode ser um portal dimensional, não uma rua do Jurunas.
O fim de ano esta chegando e com ele chega o meu inferno astral dos 3.5, com direção manual, mas com cambio automático.
Que venha 2007, trazendo junto os dez anos do Gueto F, a ser comemorado com pompa e circunstancia que a data merece.
Apesar de tantas coisas, esse foi um ano bom. Com muita coisa boa; pessoas especiais; novas amizades; novas conquistas - Samba pa ti, passou a ter uma nova dimensão na minha vida; a saudade de dois grandes amigos (Jack e Marco vcs são especiais); o falecimento de um bom e velho amigo (que Deus o tenha); o nascimento da Sandrinha e o do filho do Érico com a Maria Luisa; as festas da On The Rocks; as farras no bar da Ester; as semanas de trabalho na Caverna; ver que os bons e fieis amigos estão encontrando seus caminhos e sendo felizes.
Desejo de coração a todos os meus queridos amigos, os que estão por perto e os que estão distantes, um ano de muita tranqüilidade, sabedoria, paz, saúde e muitas conquistas (pessoais e materiais, por que não?). Que esse seja o caminho de todos nós. Um abraço e um grande 2007 para todos.



Mesmo depois do assalto, Renato manteve-se calmo e agradeceu a Ganesha por não terem roubado nada dele.
enviada por Marvalsc



06/11/2006 22:19

Who watches the watchmens?


Ontem eu passei o dia lendo uma série - considerada por muitos críticos e fãs de quadrinhos como à obra-prima dos quadrinhos, que há tempos eu queria ter. Eu me refiro a Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Terminei às duas da manhã.
Para quem é habituado com literatura, tal qual este que vós escreve, quadrinhos é visto geralmente com preconceito. Para muitos é imaturo, bobo e pobre em argumento entre outras críticas mais. Mas não é verdade. Existe muito mais riqueza e profundidade em Watchmen do que em toda a obra de Paulo Coelho, por exemplo. E digo que isso porque já li o “mago de marketing”.
Citei o Paulo Coelho porque se tornou referencia em literatura barata e de baixa qualidade. Por essa razão vende tanto. È simples, óbvia, e com alguma mensagem aprendida em algum livro de Hare-Krishinas, desses que se encontra nos aeroportos da vida. Podem reparar, é fato.
Tenho certeza que um dia um dos livros dele vai terminar assim. “Ela sorriu para o jovem vestido com seu agasalho de colégio. Quando o trem começou a se afastar da plataforma, Laurie sorriu novamente e gritou: Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada!. Sebastian ouviu e as lágrimas lhe vieram ao rosto. Enquanto o trem desaparecia, como se estivesse entrando no crepúsculo laranja do sol de Madagascar”.
Não sou do tipo que critica algo devido à opinião de algum doido, que lê resenhas e se acha com bagagem cultural suficiente para espinafrar a obra alheia. Eu digo que não gosto por conhecimento. Por isso eu busco aprender 24 horas por dia. Até hoje eu ainda não sei muita coisa. Uma das poucas que aprendi, é que manga com leite não mata ninguém.
Quanto a Watchmen, é algo realmente envolvente, abrangente, que te remete a reflexão de nossa insignificância quando você conhece o Dr. Manhatann. Isso sem falar no trabalho psicológico desenvolvido sobre cada personagem. Em algum momento você se identifica com algum dos tipos criados pela mente indefectível de Alan Moore.
Há ainda as questões como a falibilidade, falta de caráter e os meios paradoxais para se atingir um fim.
O sarcasmo de Moore, é também algo que te faz rir, desde que se tenha pelo menos uma noção das referências que ele aborda no texto.
Não vou falar sobre a história em si, espero que quem tenha oportunidade de ler, leia sem presa, observe os detalhes de cada quadro. Você vai perceber que em determinados momentos a “câmera” de Gibbons passeia de uma maneira que muitos diretores de cinema jamais teriam talento para, ao menos, “colar” do cara.
Esse texto vem com anos de atraso. Mas depois de reler novamente a série, eu precisava escrever algo sobre ela.
Talvez alguns não concordem comigo. Isso é normal. Devem achar que quadrinhos é coisa de imbecis, imaturos e nerds. Mas eu prefiro ser visto assim a ser considerado fã de Paulo Coelho, ou de qualquer autor de livros de auto-ajuda. Que na verdade só ajudam a aumentar e difundir o egoísmo no mundo. “Você é capaz! Você é o vencedor! Você pode! O resto é tudo incompetente e imbecil.
Pelo menos em Watchmen todos mostram suas facetas e personalidades atormentadas, mesmo que pairem sobre eles a pecha de heróis.
Parece que pretendem fazer um filme sobre a história. Com certeza não conseguiram passar nem um quinto do que a obra propõe. Mas é isso. Cinema moderno é pra divertir, não para fazer pensar.
Mas antes de comprarem a pipoca e os refrigerantes para ver o filme, leiam a história. O impacto da decepção será bem menor.



O colorido é o Rorschach, meu personagem favorito da saga.
enviada por Marvalsc



10/10/2006 18:19

Futuro? Que futuro!


Talvez seja um desses um desses períodos obscuros pelo quais a humanidade eventualmente passa. Talvez o apocalipse esteja próximo. Ou, talvez seja apenas o indício de que o fim da espécie humana esteja a passos galopantes. Essa foi a visão que eu tive na noite de domingo assistindo ao debate da band. Azar o meu! que não tenho tv paga.
Foi muito engraçado o “Boca de velha” Alckmin e o Luiz “Desse mais uma” Lula da Silva se acusarem como se fossem bastiões da moral e bons costumes. Um não sabe que a mulher recebe 400 vestidos “de grátis”. Já o messias não explica a ascensão financeira do filho. Ambos não (nunca) sabem de nada.
Belo futuro para o país do passado. É verdade. Hoje o vislumbramento do futuro é o passado do país. O futuro já passou, ou melhor, passaram por nós. Que diga a Índia, onde as pessoas cagam no meio da rua sem a menor cerimônia. Coisa que os chineses também faziam há menos de 50 anos. Mas pelo menos eram em cagadouros coletivos e públicos. Grandes merdas, literalmente. Agora apontam o século 21 como potencias econômicas e cientificas.
Tudo bem que por aqui as pessoas não fazem cocô na rua. Em compensação os restos mortais de bosta praticamente fazem parte da família de 60% da população brasileira. Esse é o indicie de pessoas que não dispõe de saneamento básico nesse país.
Já mandamos um brasileiro para o espaço. Somos lideres de exploração de petróleo em águas profundas; donos das maiores reservas de água doce do planeta; um dos maiores em potencial de pesca, vide o mapa com o nosso litoral; potencial agrícola indiscutível, mas e daí?
Há pessoas que não sabem assinar o próprio nome. Gente que sequer existe como cidadão. Gente que é vitima de trabalho escravo. Gente que é vendida para fora do país como reles mercadoria. Esse é o Brasil que eu vejo.
Para a maioria é mais fácil acreditar no que a TV mostra. Se preocupar com os dramas das Helenas do Manoel Carlos é mais interessante do que os problemas ao seu redor.
E o mengão? Cai ou não cai? Isso é o que interessa para a massa “gente boa” desse país.
Essa característica peculiar ao brasileiro é o que torna vulnerável as manipulações de boa parte dos políticos, artistas, médicos, advogados, jornalistas, sindicalistas, professores, policiais, etc, que entram na vida pública. Geralmente por serem incompetentes na primeira escolha profissional, destacam-se vigorosamente na arte de enriquecer na segunda. Isso sem que eles tenham sequer uma noção do que é uma carteira de trabalho, ou oito horas de trabalho diários.
Estou descrente em tudo. Essa é a grande verdade. Mas vou estar lá na seção 112 no dia 29. Desta vez com meu nariz de palhaço e peruca idem. É assim que me sinto, mas ainda não desisti.



enviada por Marvalsc



28/09/2006 12:53

Shyamalan é o cara


Existem poucos filmes que me deixam com uma sensação boa depois que começam a aparecer os créditos. O filme a Dama da água de Shyamalan (pronuncia-se SHAH-ma-lawn) conseguiu isso. Nem mesmo a chuva que caiu assim que pisei fora do cinema me incomodou, pelo contrário fiquei olhando meu óculos molhar e embaçar, tentando olhar o céu. Fui rindo sozinho para a parada de ônibus.
M. Night Shyamalan é um diretor com um diferencial extremo comparado aos demais “fazedores de blockbuster”. Ele faz cinema. Faz com simplicidade, com criatividade, com talento e brincando com quem vai assistir seus filmes. Talvez seja isso que deixe os críticos e produtores putos.
Quando estreou, Sinais foi tratado a pão e água pela crítica por mostrar um ETs toscos e nenhuma navezinha para satisfação de quem esperava uma invasão alienígena com raios lasers e explosões a toda hora. Fracassou em crítica e bilheteria.
Minha visão sobre críticos, de qualquer área, é a seguinte: “Quer julgar o trabalho alheio? Faz uma obra-prima pra te embasar!”. Ou como criticar um filme só porque eu assisto um monte de filmes ou freqüentei um curso de cinema? Quem sabe ainda criticar um autor devido ao fato de ter lido uma catatau de livros.
Adolfo Bloch deu um dia uma resposta considerada irascível e sarcástica a um funcionário que comentava as fotos premiadas de alguns fotógrafos da falecida Manchete.
“O senhor tem que ver o equipamento deles, última geração, top de linha. Adolfo respondeu:
- Ah, é? A foto é boa por causa do equipamento? Tirou do bolso sua caneta Montblanc e atirou:
- Pega! Me escreve um best-seller”.
Assim eu analiso os críticos em geral. Quer melhor? Faz melhor, desgraçado.
A Dama do lago é uma simples fábula. Mas que desperta um sentimento de esperança, de fé, de um lado positivo das coisas. Não vou contar nada sobre o filme. Digo apenas que assistam. Vão ao Moviecon e dêem um sorriso para a atendente e pague meia-entrada. E saiam com o espírito leve e com esperanças de coisas boas ainda podem acontecer nesse mundo.


Paul Giamatti e a beleza estranha de Bryce Dallas Howard

enviada por Marvalsc



26/09/2006 14:06

Enterrem meus pés na curva da Júlio César


Acabou! Acabou! É tetra! É tetra!
Eis que se encerra a feira do livro 2006. As portas do pipiral foram lacradas, e o barqueiro fez inúmeras viagens para levar de volta os tantos freqüentadores que aproveitaram o fato de Cérbero permanecer preso, facilitando a fuga em massa do inferno.
As pernas tremiam, a cabeça doía e os olhos teimavam em fechar-se dada a falta de sono, mas tudo valeu a pena. Em dez dias a Caverna do Gibi ficou mais conhecida que puta de interior. Ao ponto do Caverna dizer em uma entrevista que estava “mais famoso que a Coca-cola e Jesus Cristo”.
Forram momentos de tensão e tesão (cada coisa linda que aparecia por lá...), moleques querendo roubar as mercadorias, espionagem industrial, adolescentes tarados por quadrinhos adultos, doidos, malucos, esquizofrênicos, psicopatas, sociopatas, apareceu de tudo no stand. Isso tudo com direito a me vestir de Darth Vader capuchinho. Muitas crianças não terão uma infância normal depois daquela noite de domingo.
Em breve teremos fotos no blog sobre tudo que aconteceu por lá. Desde a visita de Luiz Fernado Verríssimo a loja. Isso quase me levou a morte por me engasgar com o biscoito ao vê-lo entrando no stand.
Ao fim das contas valeu a pena por toda a farra, brincadeiras e zoações durante uma média de doze horas por dia. Caverna, o Christian, Vivi, Jorge e Renato valeu por tudo.
Ano que vem tem mais.
enviada por Marvalsc



25/08/2006 21:42

Do mito da Caverna a Plutão?



Eu voltei...agora pra ficar...porque aqui... aqui é o meu lugar...
Eis que depois de dois meses sem postar nada nesta “josta”, estou de volta.
Putz! Desde a decadência do império romano não se via tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Estive, durante o mês de férias, trabalhando na loja do casal Kavelma. Agora eu entendo porque larguei administração. Se uma loja de pequeno porte deixa a gente meio doido, eu imagino como são loucas as pessoas que lidam e administram grandes empresas. Mas ao fim das contas da para se divertir um bocado naquele lugar. E de quebra ver filmes, ouvir música e ler quadrinhos de primeira.
Para quem não conhece a Caverna do Gibi, trata-se de um local que ainda vai ser tema de um livro de Stephen Hawk. Acredito que é o local perfeito para ele comprovar a existência de buracos negros, outras dimensões e até vida extraterrena (O Cacá é um alien, eu tenho certeza). Aparece de tudo ali.
Corre o boato que um dos episódios de Poeira das Estrelas, do Fantástico, vai ser feito por lá.
Em quase dois anos de atividades a loja passou a ser monitorada pela CIA, devido as teses de revoluções anarquista-social-punk-pró-palestina-de-esquerda defendidas pelos freqüentadores ao som de bandas malucas e estranhas levadas pelo Jair (futuro tema de um texto existencialista-cristão). Apesar de eu acreditar que ele é agente federal infiltrado entre os malucos.
Infelizmente nenhuma das teses foi posta a prova porque a loja sempre fecha antes começarem as ações de campo. Acaba todo mundo indo para casa e volta no outro dia para continuar os debates.
A Caverna é o local perfeito para um fim de tarde nessa cidade sem nada. É um pedaço de pensamento vivo e criativo nesta cidadezinha de Merlin. Possivelmente a grande mudança deverá ocorrer durante a Feira do Livro 2006, quando muita gente irá conhecer o espaço. Aquilo não vai caber de tanto doido.
Agora que finalmente falei da Caverna do Gibi neste blog, eu estou posso dizer que estou preocupado com a situação de Plutão.
O que vai acontecer com meu horóscopo daqui para frente? Se Xena virou planeta, Hércules pode virar um cometa, uma estrela? Minha mãe assiste Hércules toda tarde na Record e não se conforma até agora com essa decisão.
Ceres e Caronte planetas-anões?! Até um dia desses eram asteróides. Como fica a decoreba dos nove planetas que eu recitava nas aulas de geografia do NPI? E o rebaixamento de Plutão, foi no tapetão ou é politicagem da CBF?
Eu fiquei impressionado com a reação dos astrólogos: Isso não muda nada! Disse um deles no jornal da Band. Claro. Como é que vai se explicar para as pessoas que mais dois planetas não afetariam o fato de sua Lua ser em Escorpião e seu ascendente ser em Câncer (isso principalmente para quem fuma).
Já disseram até que Plutão é uma espécie de Remo do sistema solar, volta e meia se vê ameaçado de rebaixamento. Sacanagem com o Leão. Mas se for assim Plutão vai disputar a segundona espacial e volta pra primeira com o projeto Tóquio 2009. Quem viver verá, menos o Steve Wonder.


enviada por Marvalsc



30/06/2006 20:36
Olá, estou de volta depois de tanto tempo...
Tempo, relatividade...qual o tempo de minha real-atividade?
Quanto menos eu faço nada, menos eu consigo fazer as coisas que desejo.
Estou a caminho de me tornar uma lesma reumática e com cãimbras pernitentes.
Mas em compesação estou de volta aos meus velhos amigos: o libertário Maquiavel, o lúdico Dante, e o divertido Dotó.
Estou de volta!
enviada por Marvalsc



13/04/2006 21:15

D de Decepção


Uma das armas de contraposição a ditadura da estética moderna é a frase: O importante é a beleza interior. Mas a verdade é que em certos casos esse argumento é tão inoperante quanto um rato treinar vale-tudo para enfrentar um elefante numa luta corpo a corpo. Como dizer essa frase diante de Natalie Portman?
Sim. Eu fui assitir (em bando) V de Vingança. Um massacre a obra de Alan Moore feita pelas mãos dos irmãos Wachowski. Ninguém se surpreendeu, pois já assistimos o fim da trilogia Matrix. Mas o importante disso tudo é Natalie Portman.
O filme em si é uma diversão para quem gosta de explossões e porradas mil. Vai dar uma ótima Tela-quente daqui uns dois anos. A cena de luta com facas está devidamente gravada na minha mente (valeu o ingresso). A morte de um dos soldados se tornou um sonho de consumo para este amante das lâminas. Três golpes, em pontos fatais, antes do cara cair no chão. Maravilhoso.
Voltando ao ponto principal, houve uma tentativa frustada de enfeiar a jovem atriz. Nem mesmo careca, com olheiras e chorando é possível dissociá-la do significado de uma palavra: Bela.
A atriz possui bem mais do que a beleza como atributos. Ela é formada em psicologia, por Harvard. Fala fluentemente o inglês e o hebraico, além de alemão, francês, japonês e um pouco de espanhol. E pensar que lembro ainda de O Profissional, onde ela apareceu contracenando com Danny Aiello e Jean Reno. Aquela garotinha prometia uma longa carreira.
Ainda de brinde ela aparece vestida de menininha na tela. Um deslumbre para os mais fetichistas. Para mim Closer é bem mais interessante. Só lamento que ela tenha feito parte deste arremedo de levar as telas V de Vingança. Alan Moore estava certo em retirar o nome dele dos créditos do filme. Leiam os quadrinhos. É muito melhor.

enviada por Marvalsc



25/03/2006 04:15

Soluções fantásticas


Antes de qualquer coisa, saibam que este texto está sendo escrito por uma pessoa bêbada. Mas não sou o único neste espaço. Além de mim estão porres mais duas pessoas. É resultado de 11 cervejas na corrente sanguínea de três pessoas.
O que queria escrever é sobre a tal Lei Seca que se estabeleceu na Macondo do Norte brasileiro. Na verdade é o resultado da incompetência administrativa de um governo que mantêm o Pará como um dos mais atrasados em desenvolvimento social e econômico. Um Estado campeão de casos de hanseníase (doença medieval), do trabalho escravo (abolição já foi assinada há mais de 100 anos) e da violência no campo.
A insegurança publica é reinante no Pará. Mas se você fosse incapaz de gerenciar um Estado que é maior que muitos países, o que você faria? Tentaria uma solução, ou admitiria sua própria incompetência? Aqui o governo não teve nem um pudor em admitir: Somos incompetentes.
Aqui os diretores e nomes de peso da “Segurança Pública” andam a bordo de pick ups importadas, comparadas com o dinheiro da mãe Joana (ou público). Mas pergunte se as viaturas de muitas cidades do interior do Estado possuem sequer gasolina para fazer a ronda em dois quarteirões. Nem merda.
Estamos em ano de eleição. E é sabido, até mesmo pelas baratas de esgoto, que números são uma das melhores armas para impressionar os palhaços (eleitores). Então seria preciso que mostrássemos para a população, estatísticas que impressionam e revelem a competência de um governo. Mas como fazer isso?
Segundo alguns estudos 23% dos acidentes de transito são causados por pessoas que ingeriram algum tipo de bebida alcoólica. Se você pensar bem, isso significa que os outros 77% são ocasionados por pessoas que bebem água ou leite desnatado, por exemplo. Esse deve ser o pensamento que impera entre os asseclas do “cara de preguiça”.
É verdade que a maioria dos crimes registrados durante as madrugadas estão relacionadas a ingestão de bebida alcoólica. Agressões, violência domestica, discussões e outros agravantes são os mais registrados durantes as noites de Mango City. Mas, fechar bares e restaurantes (não todos é claro) seria a solução para os problemas econômicos, sociais que levam muitas pessoas afogarem suas frustrações num copo de cerva? Para o governo tucano, sim.
Pouco importa se muitos estabelecimentos terão prejuízos. Se muitas pessoas perderam seus empregos. O importante é maquiar a realidade perante o eleitorado.
Não duvidem que dentro de algumas semanas sejam revelados números como a redução de casos de crimes violentos durantes as madrugadas. Os mais incautos (ou ignorantes) pensaram que a medida do governo foi sábia. Fecha-se os bares e acabam as farras e os casos de embriagues causadoras de toda a desgraça urbana.
Mas é preciso que na mesma proporção fiquemos atentos para saber se no mesmo período foram gerados novos empregos no Estado; se a reforma agrária avançou; se a saúde pública elevou o padrão de atendimento; se nossas estradas melhoram suas péssimas condições. Isso dificilmente sofrerá alguma mudança.
A polícia está atuante na fiscalização do cumprimento da Lei, de uma forma tal que não se via no patrulhamento noturno da cidade. Mas duvido que alguns dos policiais se atreve a fiscalizar a Estação das Docas, Boteco das Onze ou os restaurantes do Mangal das Garças. É a velha máxima que a Lei é para todos, dependendo do poder político e financeiro de quem se submetera a essa mesma Lei.
Eu só lembro agora do filme Patch Adams, onde um paciente com deficiência mental tem o habito de manter o braço direito erguido. Como não conseguem resolver o problema os “Çabios” médicos acham uma solução plausível: Cortam o braço do infeliz. A situação não é diferente nessa questão. É a estupidez, a preguiça, a incompetência se sobrepondo a realidade.
Em outubro é mês de eleição. Em outubro haverá o dia da vingança. E eu vou procurar a birosca mais próxima para ver o resultado dessa presepada travestida de moralismo e competência.
enviada por Marvalsc



13/03/2006 21:50

The End


Há momentos na vida em que você se vê diante de uma decisão que vai mudar radicalmente o seu destino. Há quase dois anos eu espero pelas palavras definitivas de uma figura que está do outro lado do mundo. Há quase dois anos fechei meu coração a espera da mulher que ainda amo. Há poucos minutos atrás eu recebi um telefonema que me fará mudar completamente daqui pra frente.
Há mais decepção na minha vida no que em toda a história da mansão de Hugh Hefner. A infância de Oliver Twist é uma Disneylândia perto da minha vida pessoal.
Durante os últimos seis meses, pelo menos uma vez por semana, eu recebia um e-mail que mantinha as minhas esperanças vivas. Mas a verdade é que lá no fundo eu sei que não devia esperar nada. Eu tenho de ir embora desta merda de país.
Dizem que um amor só se cura com outro. Não acredito nessa merda! Foda-se!
Sim! Esse não é um texto divertido. É o retrato da primeira merda de 2006. Eu esperava que o mês de junho fosse um divisor de águas na minha vida. Afinal, seria o mês da vinda definitiva de alguém muito especial e, consequentemente, seria minha redenção no quesito amor-sincero-que-vale-a-pena-e-para-vida-toda.
Mas o que é o amor perto de uma proposta de U$10 mil e benefícios? Porra nenhuma.
Claro que o telefonema vem acompanhado de mesma lenga lenga de sempre:
- Eu só preciso de mais um ano. Terei o suficiente para comprar a área que preciso.
- Espero que vc seja muito feliz como a nova proprietária do Estado de Alagoas.
- Não brinca. Estou falando sério. Quero que vc entenda...
- Entender?! Entender?! Eu estou tentando entender a minha escolha há mais de dois anos
- Eu sei que havia prometido...
- Deu.
- O quê?
- Deu.
- Como assim, deu?
- Acabou. Pra mim chega.
- Vc está terminando tudo?
- Nós nem começamos, pra dizer a verdade.
Acho que é preciso coragem para dizer adeus a quem possui todas as qualidades para completar sua existência. Mas eu não quero mais isso. Não posso mais viver em função de uma ilusão.
Diabos! Por quanta vezes eu tive a oportunidade de me envolver com mulheres (eu disse mulheres, não garotas) tão legais. Mas, não. Eu não queria iludir ninguém porque eu tinha um compromisso com outra pessoa. Eu sou uma besta.
Acho que essa foi mais uma decisão que me leva cada vez mais para longe daqui. Talvez seja isso mesmo. O projeto “Madri 2007” segue firme.
enviada por Marvalsc



06/02/2006 22:58

In my life


Há dias em que você acorda e sente que as coisas estão diferentes, que elas mudaram. Hoje eu acordei com a chuva forte lá fora. Voltei para casa e sentei a chuva molhar meu corpo. Eu estou vivo.
Hoje mais um ano de vida se completa. Mais uma vez a solidão da alma se fez presente. Mas não há tristeza, longe disso. A solidão sempre foi a mais constante das minhas companhias, e soube fazer dela a mais leal e verdadeira amiga. Foi ela que me apresentou os livros, a música e me fez desenvolver o meu famoso laconismo. Fez-me aprender a observar as pessoas, e saber em cinco minutos se elas valem a pena ou não, se merecem confiança ou se tratam apenas de chatos querendo ser legais. Eu nunca me engano sobre as pessoas.
Foram quase quatro horas relembrando muitas coisas de anos passados. Pouca gente consegue ficar imóvel, olhando para o teto e relembrando os bons e maus momentos de 34 anos que se passaram. O saldo foi positivo, apesar de tudo. A vida é mais cheia de riquezas do que dogmas e normas estabelecidas pela sociedade moderna.
A vida vale a pena quando uma bela figura dança ao som de “Samba Pa Ti”, do Santana; quando alguém muito especial liga para te desejar tudo de bom, mesmo estando há milhares de quilômetros de distância; quando você pode tomar um toddy quente com pizza no café da manhã; quando se pode ir dormir junto com uma bela figura e acordar ainda abraçados. Tudo isso vale a pena e dá vontade de viver pelo menos mais outros 34 anos.
Obrigado pelos peixes e todo o resto.



Em minha vida

Há lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns se foram e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar
Alguns estão mortos e outros estão vivendo
Em minha vida, já amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes,
Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você.


enviada por Marvalsc



11/01/2006 22:07

Galinhas e pedreiros


O ano começa como terminou 2005: a casa só poeira; virei mestre-de-obras e cozinheiro de dois pedreiros, desempregado e ainda tenho de ser office-boy da minha mãe. Mas, eu estou gostando desta fase, acreditem.
O mais louco é que eu estou sem assistir televisão há quase um mês. Em compensação estou lendo três livros e passei as duas últimas semanas estudando feito um louco para o concurso. O resultado disso é que por vezes me senti o Tom, num episódio em que o Jerry suja a casa toda, e ele fica feito um louco tentando fazer tudo ao mesmo tempo: lavar, passar, enxugar e dar brilho. Era mais ou menos assim que eu estava. Tinha de fazer comida, lavar a roupa, estudar, dar pipoca aos macacos e ficar trocando os cds do som. Acho que foi música e o Marlowe que me mantiveram são esse período.
Eu percebi que estava a beira de um surto psicótico (o meu psicólogo sabe que eu tenho inclinação a psicopatia), quando estava comprando um daqueles frangos fantasticamente dourados e suculentos de padaria, no caso um supermercado.
A verdade é por mais que você tente, não se consegue reproduzir com exatidão “receitas de rua”: frango de padaria, cachorro-quente, coxinhas, etc. E eu tenho uma predileção especial pelas galinhas bailarinas (sem essa de frango, pra mim são galinhas e pronto). Bem, é assim que eu decidi chamá-las. Estava eu a espera da minha eleita e aguardava juntamente com outras pessoas o “coreógrafo” das dançarinas. Eu explico. Eu esperava o momento de abrirem os fornos onde eu percebi que se passava o espetáculo silencioso.
A música de Wagner veio quase que naturalmente e imaginei uma: Ride of the chickens. As, outrora penosas, galinhas vinham surgindo de dentro no forno numa coreografia silenciosa, nuas. O movimento repetido exaustivamente fazia com que elas suassem em bicas. E, ao fim da apresentação, além de estarem no ponto, estavam elegantes e com o peito ofegante pelo esforço.
Uma delas foi levada para casa e morreu destroçada por dois pedreiros famintos e um doente, que passou quinze minutos assobiando A Marcha das Valkírias e olhando desfocadamente para dezenas de frangos que rodopiavam infinitamente dentro de um forno elétrico.
Viva o ano novo! Eu continuo doido!

enviada por Marvalsc



01/01/2006 21:12
Acabou... Com a graça de Deus acabou...
Houve coisas boas, não hei de negar. Mas, no geral, o ano de 2005 deve ficar na gaveta dos anos ímpares. Essa é aquela que você guarda as coisas que não gosta, porém não tem coragem de jogar fora, nem há como.
Das coisas que passaram, há maioria foi de perdas e partidas. Dois de meus melhores amigos se foram para longe. Acho que é esse o sinal de deixar o lado Neal Cassady e procurar um rumo definitivo. De qualquer forma em 2007 sigo para a Espanha, como prometi a minha melhor e mais especial amiga. Estou cansado dessa cidade, essa é a verdade.
Descobri que nasci na época errada. Devia ter lido On the Road quando foi lançado, faria mais sentido curtir literatura e jazz tomando todas e vivendo intensamente. O diabo é que os caras entenderam errado e surgiram os hippies... que merlin. O Kerouac também achou uma merda e resolveu ficar longe daquela baboseira de paz e amor. Eu com certeza faria o mesmo.
Bem já decide que preciso partir e encontrar o que preciso para dar razão a uma vida sem sentido.
Happy new year.....
enviada por Marvalsc



13/11/2005 01:33

Inferno Astral


Às vezes me impressiona como a vida é feita de ciclos. Existem períodos em que se chega a uma encruzilhada da qual não dá para fugir. E você deve escolher um caminho. Minha hora chegou. Eu preciso traçar minha caminhada definitiva.
Em menos de três semanas fui afastado do emprego; minha mãe foi parar num C.T.I.; meu melhor amigo foi embora de Belém e a única figura que desperta alguma coisa positiva tem medo que eu a magoe. Resumindo estou vivendo um chamado “inferno astral”.
Para piorar minha situação a minha fama de “safado” já ultrapassou o plano material. Uma mensageira teve “bela idéia” de dizer na frente de várias pessoas que eu “era grande, mas ela dava conta, porque esse é quente”. A vontade de se enterrar numa hora dessas é pouco menor que o oceano Pacífico.
Na atual conjuntura se eu resolvesse comprar um circo, provavelmente o palhaço entraria em depressão e os anões começariam a crescer. Este está sendo um ano daqueles. Os com finais ímpares são sempre desgraçados...
enviada por Marvalsc



27/10/2005 17:23

o Iluminado


Há algo de muito estranho quando pessoas dizem que você é uma “pessoa iluminada”, “cheia de luz” , que “sua estrela foi feita para brilhar”. A verdade é que você acaba se sentindo uma subsidiária de energia elétrica, mas sem os lucros compatíveis.
Estranho, ou não, eu sinto que o que me foi dito recentemente (crianças, Shakes tem razão: “Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”) caminha para se concretizar.
Não é segredo para ninguém que me conhece que aguardo há mais de um ano o concurso para o Banco Central. Está semana tive uma conversa com...é...é...bem...com alguma coisa além da minha compreensão. O problema é que foi uma pessoa muito próxima que me apresentou o “mensageiro”.
As vezes eu duvido de muitas coisas. Sou péssimo. Com uma ressalva: eu acredito em alienígenas. Minha família convive com uma espécie de Nibbler de 1,82 de altura há quase 25 anos. No momento ela abduziu o próprio namorado e prepara a substituição dele por um clone desenvolvido no laboratório espacial.
Mas em outros momentos meu ceticismo vai junto com minha sobriedade. O que torna certas experiências bem marcantes. O problema é que eu não estava bêbado, estava alegre, animado, sacaram? E depois de oito latinhas de Kaiser é o que acontece.
Na verdade é que sou da política dos filósofos gregos: Não há verdades absolutas! Partindo desta premissa, não há motivos de duvidar de certas coisas, por mais absurdas que elas nos possam parecer. É mais ou menos como se o mouse do pc, aqui do meu lado, de repente pulasse e gritasse comigo: Vai cutucar a tua mãe! Pensa que isso não enche o saco?! Clic, clic, clic, nas minhas costas, miserável! Provavelmente minha reação seria pedi-lhe desculpas.
Pois bem, resumindo a razão das divagações é que um “mensageiro” me disse que as mudanças estão próximas. Que aquilo que eu busco eu conseguirei. Fiquei com isto na cabeça, e quando abro o jornal hoje pela manhã está lá: Banco Central divulga edital no dia 25. Lindo. Uma das notícias mais belas do ano. Merecia o Prêmio Esso de jornalismo.
Isso dois dias depois da tal conversa com o mensageiro. Coincidência? Talvez. A imagem da Santa cair na hora que cheguei em frente de casa, coincidência? Maybe. Seja lá o que for, deve acontecer da maneira que deve acontecer.
Está tudo tão escuro....está frio...quem me chama? Chapeleiro Louco é você?! A luz? Sim eu irei para a luz Gandalf... E os Lumpa-lumpa irão com a gente? Alguém pode me dar um tapa na cara?

enviada por Marvalsc



29/09/2005 15:19

Júlio Cézar e o álcool


Há algo de errado quando você começa a fugir e inventar desculpas mirabolantes para não encontrar uma pessoa. A gente vai se ver hoje?, pergunta a jovem do outro lado da linha. A resposta custa uma fração de segundos, e nem mesmo os testes positivos de QI são capazes de evitar uma desculpa para lá de non sense. Estou levando um porquinho-da-índia para o veterinário...ele...ele...ele está em coma alcóolico.
Eu sei, é péssimo! Mas o que podia fazer, essas coisas são inerentes a minha pessoa. Assim como não tenho paciência para perguntas óbvias (não livro nem a cara da minha tia), tenho problema em dar respostas mais complexas e merecedoras de crédito por quem me interpela. O engraçado é que o porquinho-da-índia sempre vem atrelado a resposta.
Um dia desses a alienígena me ligou perguntou aonde estava e o quê fazia. Na hora respondi: “estou fazendo a dança da chuva com dois porquinhos-da-índia, um lilás e outro azul turquesa”. Claro que a primeira reação é o riso das pessoas. O que já ameniza o problema e me dá tempo para elaborar a continuidade da estória a ser inventada.
Voltando a tal figura esperei ela parar de rir, enquanto todo o enredo se formava na minha cabeça. Foi preciso quase dois minutos de espera. Ela teve a sensatez de desligar o celular até reassumir o auto controle. Ligou de novo e ainda ria perguntando como isso havia acontecido (Ela acreditou!!!!!!!). Esse é o sinal para dar início a história do Júlio Cézar, o porquinho-da-índia alcoólotra.
Deus me perdoe, mas proferi falso testemunho do animal de estimação de uma amiga. Contei como aos três meses de idade o bichinho foi apresentado a cerveja numa manhã de Domingo em família. Algum espírito de porco teria colocado a bebida no pratinho da gaiola do animal, e ele não se fez de rogado, sorveu a cerva e desenvolveu especial predileção pela Antártica. O porquinho sabia das coisas.
Contei que a diversão da família era embebedar o bichinho e vê-lo correr cambaleando pela sala do apartamento batendo ou esbarrando nos móveis. Eles também já “calibrados” rolavam de rir da situação.
O problema é que a figura do outro lado da linha é como eu, visualiza as coisas que lhe são ditas. O riso contido se transformou em gargalhadas estrondosas e a ligação foi cortada novamente.
Ela liga de novo e implora para que eu pare, pois sente dores no abdômen de tanto rir. Resolvi encurtar o relato e contar o episódio do “coma alcóolico”. Contei-lhe que no final da tarde de ontem, o pai da Camille teria deixado um copo com whiskey em cima de uma escrivaninha, e a Camille estava com o Júlio Cézar no colo. Ela deixou o bichinho em cima da tal escrivaninha, na hora em que eu toquei a campainha.
Júlio Cézar tinha um grande noção dos risco da alturas elevadas e resolveu se dirigir para o centro da mesa. Quando, na minha avaliação, possivelmente teria farejado o copo de bebida, reconhecendo a presença de álcool no recipiente. Como já estava acostumado debruçou-se sobre o copo com Red Label e gelo e enfiou a língua na bebida. Os riso virou gargalhada de novo e a ligação foi cortada.
Retornou para saber o fim a estória. Prossegui contando que ao chegarmos ao escritório Júlio Cézar estava caído ao lado do copo. A conclusão e pelo cheiro de whiskey no bicho que ele havia bebido, e como não estava acostumado com os destilados passara da conta.
Foi por essa razão que não poderia vê-la na noite de ontem, pois estava numa clínica veterinária esperando o atendimento do Júlio Cézar. Provavelmente deveria estar recebendo glicose, ou uma dose de café forte, quem sabe ainda meia dose de engov para evitar maiores problemas quando voltasse para a gaiola.
Eu sei, vocês me acham um maluco. Mas o pior é que a figura acreditou e não precisei deixar de ir visitar a dona do porquinho-da-índia, minha amiga Camille.
Eu preciso de tratamento assistido numa clínica psiquiátrica. O pobre do Júlio Cézar ficou com uma imagem de alcoólatra só para que eu não encontrasse com uma figura pentelha. Que Deus tenha piedade da minha alma por não cumprir o nono mandamento.

enviada por Marvalsc



05/09/2005 15:04

Brincando de Tarantino



Tem dias que você se pergunta porque tem de acordar se o sonho está tão bom e perfeito. Além do mais eu tenho o problema de sonhar diferentemente da maioria das pessoas. Eu sonho em três dimensões e sinto todas sensações físicas (frio, calor, vento, tato) do está a minha volta. As vezes nos meus braços. Ontem foi um desse sonhos perfeitos, ou melhor três sonhos diferentes, com desfechos idem.
O primeiro, que lembro com detalhes, foi o do beijo na professora gata. Inesperado, forte, e o melhor eu vivenciei, ainda que em sonho, todas as nuances daquela boca: textura macia, quente. E se deu,como não poderia deixar de ser, num desses rompantes devido a perda de autocontrole. Estes são especiais, memoráveis e inesquecíveis. O problema que esse do sonho foi muito bom, mas foi só em sonho...que lástima.
O segundo sonho foi bem mais louco. Do tipo que excede minha satisfação e libera a serotonina no meu organismo, depois de doses cavalares de adrenalina. Descobria quem era o cara que me enviou o e-mail falando que eu tinha convidado a mulher dele para sair (isso tá me deixando na onda). Ele me ligava e me convidava para uma conversa “amistosa”. Vou contar o sonho da forma como lembro, em cada detalhe. É um roteiro canalha, mas o sonho foi muito bom.

Cenário:
O encontro se deu num boteco com pouca iluminação, com pessoas sentadas nas mesas do lugar. Havia um cheiro de comida caseira no ar, que se misturava a fumaça, bebidas e o suor impregnado que exalava da cozinha.
A cena:
Marvalsc entra no bar e observa as mesas de relance. Pode ver um casal se derretendo em declarações mútuas de amor. Duas mesas a frente um velho bebia seu drink absorto em memórias do passado. Num dos cantos, próximo a entrada da cozinha, estava o cara desconhecido. Era ele que o preocupava. Passou ainda por dois rapazes, um negro e outro com traços latinos, que fingiam conversar animadamente. O cara era esperto. Não viera sozinho. Isso não o preocupava. Um garçon e uma mulher no caixa completavam o grupo.
Aproximou-se da mesa e cumprimentou o desconhecido com um aceno de cabeça. O cara era um sujeito magro, com a face sulcada e rugas que marcavam-lhe a fronte e os cantos dos olhos. Vestia uma camiseta preta com o logo de uma banda qualquer. O maldito fazia o estilo headbanger. Ele apontou uma cadeira. Marvalsc percebeu que o cara também não era de falar muito. Isso o fez triplicar a atenção e investigar mais atentamente o lugar. Os dois rapazes pararam de falar, o que comprova a tese de que estavam com o desconhecido.
O cara estava próximo a cozinha o que significava que ele poderia usá-la como saída numa possível fuga. Marvalsc caíra numa emboscada, mas isso não o surpreendeu. A estratégia não era nenhuma novidade.
Lembrou-se do treino de combate com facas e das noções de guerrilha urbana. Sentiu saudades de um tempo distante, quando ainda era um garoto aprendendo a se defender. Os caras eram totalmente inexperientes. Esboçou um leve sorriso, arqueando o canto direito da boca. Aquilo seria muito fácil e rápido, pensou. Sua preocupação maior era evitar que os demais fossem atingidos. Esse era seu defeito, preocupava-se com quem não estava envolvido em suas “tretas”.
O cara olhou para ele e percebeu que ele já havia descoberto tudo. A arma debaixo da mesa pesou em suas mãos. Um fio de suor percorreu a testa e ele acompanhou o movimento da gota. Isso o distraiu. Foi o suficiente. Quando voltou da leve distração, ouviu apenas um estampido ecoar pelo pequeno restaurante e um clarão que explodiu a sua frente como se saísse diretamente das mãos de Marvalsc. A bala o atingiu no olho direito e saiu na parte de trás do crânio levando junto um terço da massa encefálica do desconhecido. Marvalsc usava balas especiais em sua glock g-36 calibre 45.
Quase que no mesmo instante, Marvalsc girou para os dois desconhecidos atrás de si, sacando a faca do coldre sob o colete. Acertou em cheio a garganta do negro. O latino ainda tentou sacar a arma, mas antes que fizesse isso duas balas estraçalharam-lhe o coração. Tudo se passou muito rápido, como ele previa. Três mortos. Nenhum a mais nenhum a menos. Afastou-se para as sombras do restaurante e saiu pela porta da cozinha. Estava feito.
Lá fora a mulher o esperava em um carro antigo. Ela sabia que nunca mais veria o ex-amante ao ver Marvalsc sair pela porta e acender um cigarro. A imagem as vezes a assustava. Ninguém podia imaginar o perigo que aquilo representava, muito menos sobre o ódio que se transformava em atos de quase sadismo.
Ele entrou no carro, sorriu para ela, puxou a cabeça da mulher com força e beijou-a com o sua fúria típica. Ela se desmanchava nos braços dele, e se entregou completamente. A mulher sabia que dali para frente ele estaria sempre ao seu lado. O carro saiu em disparada fez uma curva e sumiu na estrada empoeirada. Do bar ainda se ouvia o trecho da música que tocou durante o encontro com o desconhecido. “Nobody wants him...They just turn their heads...Nobody helps him...Now he has his revenge”.

enviada por Marvalsc



02/09/2005 12:38

Eh, laiá


Eu não sei o que acontece, mas eu devo ser um para raio de doidos virtual. Semana passada um figura me manda um e-mail perguntando quanto eu cobro por um programa e se “faço casal”. Até conversei com a maluca pelo MSN só pra “dar o preço”. Quem sabe não rende um pouco mais que o jornalismo hehehehehe.
Hoje de manhã foi o de um cara me chamando de autruísta e exemplo de solidariedade (claro que não vou colocar o que ele disse exatamente), por ter convidado a namorada dele para sair junto comigo e uma outra mulher. Se a coisa estivesse nesse patamar, meu Deus...
Primeiramente não sei quem é o cara.
Segundo: muito menos a namorada dele.
Terceiro: sair com duas mulheres dá um trabalho enorme e não é algo que aconteça corriqueiramente como ir ao cinema. È preciso que o Sol esteja na quarta lua de Júpiter, que a lua esteja cheia e anteceda em 24 horas e 55 minutos a um eclipse solar. E a pessoa que convida as duas mulheres deve ter um porquinho-da-índia lilás e que dance flamenco. Aí sim, é inevitável.
Deve haver alguma coisa que atrai essas coisas para minha vida. Em plena sexta-feira, com duas especiais para entregar e pautas idiotas do dia, me aparece uma dessas. “È preciso saber beber, é preciso saber beber...”

PS: Falando em doidos, lembrei da tragédia na ponte ocorrida esta semana no Iraque. O cara que grita “Homem bomba!” no meio de uma multidão tem que ser muito espírito de porco. Segundo as primeiras investigações o nome do suspeito é Oicram Asuos. Em português algo como Márcio Sousa.

enviada por Marvalsc



28/08/2005 22:49

O fim está próximo


Caros leitores deste mísero blog,
Esta é uma carta testamento.
Bem, antes que vocês tirem conclusões precipitadas, não estou a beira da morte, muito menos pretendo tirar minha vida. A verdade é que este é sem dúvida o último ano da existência da humanidade como a conhecemos.
Antes de deixar minhas últimas palavras e destinar sabe-se lá para quem meus pertences, vou explicar a decisão de escrever este texto.
Uma das primeiras coisas que me fez ver os sinais do fim que se aproxima foi a conquista do campeonato carioca pelo Fluzão. Tempos depois morria o Papa João Paulo II. Na semana passada eu vi judeus expulsando judeus da Cisjordânia. O PT se afunda em casos de corrupção. Mas na última sexta-feira eu tive a confirmação final da proximidade do Apocalipse. A Natália está frequentando uma academia.
Talvez nem todos compreendam o que quero dizer. Como exemplo comparativo a este enusitado e pouco provável fato criado pela “iguana de Marte”, é o mesmo que imaginar Hitler na comemoração de um Bar Mitzvah, ou um argentino saldar o Pelé como o maior jogador de futebol da história. Compreenderam agora?
Explicado os motivos, vamos ao testamento.
“Eu, Márcio Sousa Cruz, no gozo de minhas perturbações mentais, declaro estar com um sono terrível e com fome tremenda ao escrever este testamento.
À Liga dos Hamsters Libertinos, deixo meus livros do Marquês de Sade e algema com pelúcia.
A coleção de administração aplicada da FGV, vai para Leroy, um dos mais compenetrados patos de borracha que conheci.
O óculos 3D do filme A Hora do Pesadelo 6 - A Morte de Freddy, fica com o Forrester. Ele é louco por aquele troço. Tivemos boas farras juntos. Grande pato.
Meus cds devem ser vendidos, e a renda jamais deverá ser revertida para uma instituição de caridade. Deve ser consumida em grades de cerveja pelos bons amigos que me cercaram em vida. Comprem também salgadinhos Torcida de pimenta e churrasco e Pringles da lata verde. Poupem os do Sinatra, Elvis e os de jazz e blues que adoro.
Meus livros restantes devem servir de fogueira para incinerar meu corpo. Bibliotecas públicas? Mas nem a pau! Paguei cada centavo por eles. Vão arder nas chamas comigo, assim como os cds acima mencionados.
Como está explicito aí em cima, não preciso dizer nada sobre doação de órgãos.
Depois eu continuo...estou com sono. É quase 23h e tenho de acordar às 5h para viajar para a cidade de Acaralho (Acará). A semana promete...
enviada por Marvalsc



08/08/2005 20:02

Vaya con la musica, Adios


HAVANA (Reuters) - Ibrahim Ferrer, o cantor do Buena Vista Social Club, grupo que o levou de engraxate a celebridade musical mundial no final de sua vida, morreu no sábado em Havana, aos 78 anos.
Seu empresário, Daniel Florestan, informou que o cantor ganhador do Grammy, que se tornou figura conhecida com sua boina e seu bigode grisalho, voltou na quarta-feira de uma turnê européia já doente e morreu de falência múltipla de órgãos.
"Quando voltou de viagem, ele foi internado no hospital e sua condição se agravou. Ele morreu de falência múltipla de órgãos", disse Florestan.
Cantor da tradicional música cubana "son", cuja voz já foi comparada à de Nat King Cole, Ibrahim Ferrer nasceu num baile de um clube social em Santiago, Cuba, em 20 de fevereiro de 1927, quando sua mãe entrou em trabalho de parto inesperadamente. Ele começou a cantar profissionalmente aos 14 anos.
Na década de 1950, ele já era um cantor respeitado que se apresentava com bandas cubanas conhecidas, incluindo a do legendário Benny More.
Nos anos 1990, porém, seu nome já tinha sido esquecido. Para complementar a parca aposentadoria que recebia do governo comunista cubano, ele engraxava sapatos.
Ferrer foi retirado da obscuridade pelo disco premiado com o Grammy "Buena Vista Social Club", de 1997, gravado por um grupo de músicos cubanos veteranos reunidos pelo guitarrista texano Ry Cooder.
Os músicos já envelhecidos foram projetados para uma inesperada segunda carreira musical e para a fama internacional, que cresceu ainda mais com o filme homônimo dirigido em 1999 pelo cineasta alemão Wim Wenders.
Dois dos principais integrantes do grupo, o cantor Compay Segundo e o pianista Ruben Gonzalez, morreram em 2003.
Como eles, Ibrahim Ferrer iniciou uma carreira solo e lançou discos seus em 1999 e 2003, tendo conquistado mais um Grammy e dois Grammy Latinos, incluindo um em 2000, aos 72 anos de idade, na categoria melhor artista revelação.
Durante sua última turnê européia, na qual passou pelo Festival de Jazz de Montreux, a Grã-Bretanha, Holand, Áustria, França e Espanha, Ferrer cantou uma coletânea de boleros que ele estava gravando e pretendia lançar em 2006.

PS: Meu medo é que seres como Latino, Felipe Dilon, "Limpem o Parque" e afins, vivam o mesmo tempo que o Ferrer. Estes, juntos, não velem cinco minutos de talento dos 78 anos de Ibrahim Ferrer. Vaya con la musica, Adios.

enviada por Marvalsc



04/08/2005 15:33

O adeus de Nelson


Quando telefone toca depois da meia-noite, quando se está prestes a dormir, não é prenuncio de boa coisa. Fui atender quando ainda acabava de escovar os dentes, e retirar da boca o gosto de Toddy. A voz do outro lado estava aflita, rápida, nervosa. Não reconheci a voz e muito menos a pessoa se identificou quando veio a frase:
- O Nelson morreu!
A primeira reação nestas horas é – quando se conhece o falecido -, Porra, o Nelson, cara...Mas como foi isso.?! O cara tava bem...falei com ele outro dia. O problema é que eu não sabia quem era Nelson, muito menos quem estava do outro lado da ligação.
- Calma aí...quem está falando, por favor?
- Sou eu, a Camile?
- Que Camile?
- Camile, irmã da Ana.
- Eu te conheço?
- Quem tá falando?
- Meu nome é Márcio. Respondi, já meio torto, porque estava com sono.
- O Márcio da banda do Barata?!
- Olha moça se eu tivesse banda provavelmente não seria com uma cara que chamam de Barata. Respondi. Por Deus, eu sou péssimo mesmo nestas horas. A mulher querendo consolo pela morte do Nelson e eu ali sacaneando com o meu sarcasmo inconveniente.
Ouvi um soluço do outro lado. Fiquei sem graça. Fiquei esperando ela bater o telefone. Ouvi a moça balbuciar o nome Nelson pelo menos umas duas vezes, antes dela voltar a falar comigo.
- Olha, me desculpa, pensei que fosse um amigo, queria falar com ele sobre a morte do Ne